Boletim da Secretaria Municipal de Saúde aponta 1776 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave e aumento de 92% nos casos de influenza entre moradores da capital. Vacinação está disponível em 72 unidades de saúde
Um novo balanço da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá revela um cenário preocupante das doenças respiratórias em 2026. Entre janeiro e o início de outubro, foram registradas 145 mortes entre pacientes hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na capital mato-grossense.
O levantamento contabiliza 1.776 casos hospitalizados da síndrome, incluindo pacientes residentes em Cuiabá e pessoas encaminhadas de outros municípios para atendimento na cidade.
Do total de mortes, 86 ocorreram entre moradores da capital e 59 entre pacientes de outras localidades. Os números constam do boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura na quarta-feira (21 de outubro), com dados referentes ao período de 4 de janeiro a 3 de outubro de 2026.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que os óbitos por SRAG envolvem diferentes causas respiratórias e não devem ser confundidos com mortes provocadas exclusivamente pela gripe.
Resumo em 30 segundos
- 145 mortes: total de óbitos entre pacientes hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave em Cuiabá.
- 86 moradores da capital: os outros 59 óbitos ocorreram entre pessoas de diferentes municípios atendidas em Cuiabá.
- Gripe em alta: casos de influenza entre moradores aumentaram 92,05% em comparação com o mesmo período de 2025.
- Vacinação: imunizantes contra influenza estão disponíveis nas 72 Unidades de Saúde da Família da cidade.
O que explica as 145 mortes registradas?
A Síndrome Respiratória Aguda Grave é uma condição clínica caracterizada por manifestações respiratórias importantes, frequentemente associadas a infecções e à necessidade de hospitalização.
Ela pode estar relacionada a diferentes agentes, como vírus influenza, coronavírus e vírus sincicial respiratório, além de outras causas que precisam ser investigadas em cada paciente.
Por isso, o total de 145 óbitos não significa que todas essas pessoas tenham morrido por influenza ou Covid-19.
O balanço considera os pacientes internados em Cuiabá, independentemente do município de residência. Dos 1.776 casos hospitalizados, 1.245 ocorreram entre moradores da capital.
Essa distinção é importante para compreender os indicadores, uma vez que hospitais da cidade também recebem pacientes encaminhados de outras localidades de Mato Grosso.
Influenza cresce mais de 92% entre moradores
Enquanto a Covid-19 apresenta redução nas notificações, os casos de influenza A e B avançaram de maneira expressiva em Cuiabá.
Segundo o boletim municipal, foram registrados 2.857 casos de influenza no período analisado, considerando moradores da capital e pacientes de outras cidades.
Desse total, 2.247 ocorrências foram registradas entre residentes de Cuiabá.
Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, quando haviam sido identificados 1.170 casos entre moradores, o aumento foi de 92,05%.
A Vigilância Epidemiológica aponta que o crescimento pode estar relacionado à maior circulação de vírus respiratórios, à cobertura vacinal insuficiente e à ampliação da oferta de exames.
O órgão também destaca que parte expressiva das notificações é proveniente de serviços privados, fator que pode influenciar a representatividade dos números.
Gripe provocou 24 mortes entre pacientes hospitalizados
Quando analisados especificamente os registros de influenza A e B, o boletim apresenta 24 óbitos entre pacientes hospitalizados em Cuiabá.
Desse total, 17 eram moradores da capital e sete residiam em outros municípios.
Entre os 17 moradores de Cuiabá que morreram em decorrência da influenza, 14 tinham mais de 60 anos e três estavam na faixa etária de 14 a 59 anos.
A concentração das mortes entre idosos reforça a necessidade de proteção dos grupos mais vulneráveis, especialmente pessoas com idade avançada e condições de saúde que elevam o risco de complicações.
Crianças concentram o maior número de casos de gripe
Embora os idosos tenham concentrado a maioria das mortes por influenza entre os moradores, as crianças pequenas apresentam o maior número de registros da doença.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, foram contabilizados 1.184 casos na faixa etária de zero a seis anos.
Entre pessoas de 15 a 59 anos, foram registrados 779 casos. Na faixa de sete a 14 anos, houve 703 registros, enquanto pessoas com 60 anos ou mais somaram 191 ocorrências.
Esses números representam os registros identificados pelo sistema de vigilância e não devem ser interpretados como o total de todas as infecções respiratórias que ocorreram na cidade.
Covid-19 apresenta queda nas notificações
O comportamento da Covid-19 foi diferente daquele observado para influenza.
Segundo o balanço municipal, as notificações relacionadas à Covid-19 apresentaram redução de 87,73% na comparação com o mesmo período de 2025.
A diminuição dos registros, entretanto, não elimina a necessidade de vigilância, especialmente para pacientes mais vulneráveis às complicações respiratórias.
A Secretaria Municipal de Saúde destaca que o monitoramento dos vírus respiratórios permanece necessário para identificar mudanças na circulação das doenças e orientar as ações preventivas.
Vacina contra influenza está disponível em 72 unidades
Para reduzir o risco de complicações, a Prefeitura informa que a vacina contra influenza está disponível nas 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) de Cuiabá.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a imunização está sendo oferecida à população em geral, conforme as orientações da rede municipal.
O morador deve procurar a unidade de referência para verificar sua situação vacinal e receber as orientações necessárias.
A vacinação é uma das principais medidas de prevenção das formas graves da influenza, embora não elimine totalmente a possibilidade de infecção.
Quais sintomas exigem atenção?
Febre, tosse, dor de garganta, dores no corpo e mal-estar podem ocorrer em infecções respiratórias comuns.
Entretanto, alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediato, especialmente quando há piora rápida do quadro.
- Dificuldade para respirar ou falta de ar importante;
- Dor ou pressão persistente no peito;
- Confusão mental ou alteração importante da consciência;
- Piora acentuada do estado geral;
- Em crianças, esforço respiratório, sonolência anormal, dificuldade para beber líquidos ou sinais de desidratação.
A presença de sinais de gravidade exige avaliação imediata em serviço de urgência. Casos sem sinais de emergência podem ser inicialmente avaliados na rede de atenção primária, conforme a condição clínica.
Como reduzir o risco de transmissão?
Além da vacinação, a Secretaria Municipal de Saúde recomenda medidas simples para diminuir a circulação de agentes respiratórios.
Entre elas estão a higienização frequente das mãos, a ventilação dos ambientes e o cuidado para evitar contato próximo com pessoas vulneráveis durante episódios de sintomas gripais.
O uso de máscara por pessoas sintomáticas em ambientes compartilhados também pode ajudar a reduzir a transmissão de infecções respiratórias.
Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial, pois podem apresentar maior risco de agravamento dependendo do agente infeccioso e de suas condições de saúde.
Serviço: dados e vacinação
- Período do boletim: 4 de janeiro a 3 de outubro de 2026.
- Internações por SRAG: 1.776 pacientes atendidos em Cuiabá.
- Óbitos por SRAG: 145, sendo 86 moradores da capital e 59 de outras cidades.
- Casos registrados de influenza: 2.857.
- Mortes por influenza: 24 pacientes hospitalizados, sendo 17 residentes de Cuiabá.
- Vacina contra influenza: disponível nas 72 USFs de Cuiabá.
- Onde procurar atendimento: unidade de saúde de referência ou serviço de urgência, conforme a gravidade dos sintomas.
Boletim reforça necessidade de prevenção
Os indicadores divulgados pela Prefeitura mostram que as doenças respiratórias continuam representando um problema importante de saúde pública em Cuiabá.
O aumento das notificações de influenza, associado ao número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave, reforça a importância da vacinação, da identificação precoce dos sinais de agravamento e do acompanhamento de pacientes vulneráveis.
Os dados são acumulados até 3 de outubro e podem sofrer atualizações conforme novas notificações e investigações epidemiológicas sejam concluídas.
A orientação principal à população é manter a vacinação em dia e buscar atendimento sempre que surgirem sinais de dificuldade respiratória ou piora importante do estado de saúde.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá / Secretaria Municipal de Saúde. Boletim Epidemiológico de Vigilância dos Vírus Respiratórios, semanas epidemiológicas 1 a 39 de 2026. Comunicado publicado em 21 de outubro.
Consultar boletim e comunicado oficial da Prefeitura de Cuiabá

