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GAECO apura “mensalinho”, dinheiro vivo e suspeita de negociação do DAE em VG

Operação Cathedra Venalis investiga suposto mensalinho a vereadores, dinheiro encontrado após reunião em chácara e alegações envolvendo o DAE de Várzea Grande.

Por Redação ZAPP Notícias•21 de outubro de 2026•11:43•11 min de leitura
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⚡ RESUMO EM 30 SEGUNDOS11 min • leitura completa
  • Operação Cathedra Venalis investiga suposto mensalinho a vereadores, dinheiro encontrado após reunião em chácara e alegações envolvendo o DAE de Várzea Grande

Investigação sobre a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande envolve. denuncias de pagamentos mensais de R$ 10 mil, ofertas financeiras por apoio político e interesses na administração do Departamento de Agua e Esgoto. Operação atingiu 15 vereadores de Cuiabá e VG

Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou novos detalhes sobre as suspeitas de corrupção envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. A apuração inclui relatos de pagamentos mensais a vereadores, ofertas de vantagens financeiras por apoio político, negociação de cargos públicos e possíveis interesses envolvendo o Departamento de Água e Esgoto (DAE).

As informações vieram a público após a deflagração da Operação Cathedra Venalis, realizada na terça-feira (20 de outubro), com o cumprimento de 30 mandados judiciais de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares de Cuiabá. A ofensiva mobilizou uma força-tarefa com participação do Ministério Público de Mato Grosso, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e outros órgãos de segurança.

O material reunido na investigação busca esclarecer se a articulação para a escolha da presidência da Câmara ultrapassou os limites da negociação política permitida e envolveu a promessa ou o pagamento de vantagens indevidas.

Resumo em 30 segundos

  • 30 mandados: operação atingiu endereços ligados a investigados em três cidades de Mato Grosso.
  • Suspeita de “mensalinho”: documentos descritos pela imprensa mencionam pagamentos periódicos de R$ 10 mil a vereadores.
  • DAE e dinheiro vivo: apuração inclui possíveis interesses no órgão de água e esgoto e uma abordagem policial anterior em que teriam sido encontrados R$ 40 mil.

Suposto “mensalinho” de R$ 10 mil entra na investigação

Um dos detalhes mais relevantes envolve relatos de pagamentos mensais que teriam sido destinados a parlamentares para garantir apoio político.

Segundo reportagem do Olhar Direto, baseada em elementos da investigação judicial, o juiz Cassio Leite Barros Netto analisou relatórios apresentados pelo Gaeco que apontavam indícios de possíveis crimes contra a administração pública.

Entre esses elementos está o Relatório de Informação nº 003/2026, que descreve depoimento de testemunha sobre um suposto mecanismo de pagamentos de R$ 10 mil mensais a vereadores.

A apuração também menciona possível distribuição de cargos comissionados, retenção de documentos e uso de gravações clandestinas para pressionar parlamentares.

Esses relatos ainda precisam ser confrontados com as demais provas da investigação e com as manifestações das pessoas envolvidas. Não há decisão condenatória comprovando a existência do suposto esquema.

DAE aparece no centro de denúncias sobre vantagens políticas

As suspeitas também alcançam um dos serviços mais importantes para os moradores de Várzea Grande: o Departamento de Água e Esgoto.

Conforme reportagem do Olhar Direto que afirma ter obtido documentos do inquérito, denúncias atribuídas a vereadores apontam que o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), teria discutido a oferta de vantagens financeiras em troca de apoio para sua permanência no comando do Legislativo.

Uma das alegações menciona uma proposta de R$ 500 mil relacionada à possibilidade de controle político e econômico de estruturas da administração municipal, incluindo o DAE.

A mesma publicação relata que a investigação examina supostas articulações para influenciar a administração de cargos e serviços estratégicos.

O ponto central é descobrir se houve apenas discussões políticas, promessas não concretizadas ou a efetiva oferta de vantagens ilegais. Até agora, a divulgação dessas acusações não permite afirmar que o DAE tenha sido negociado ou vendido.

R$ 40 mil encontrados em carro levantaram suspeitas

Outro episódio analisado na apuração ocorreu em maio de 2026, quando policiais da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) abordaram um veículo ocupado pelos vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues.

De acordo com reportagens publicadas na terça-feira (20), cerca de R$ 40 mil em dinheiro vivo teriam sido encontrados durante a abordagem, realizada após os parlamentares participarem de um encontro com integrantes do grupo político envolvido na eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande.

Segundo a apuração do Repórter MT, o dinheiro não chegou a ser apreendido naquela ocasião. A abordagem, entretanto, teria produzido um relatório policial que contribuiu para o avanço das investigações.

Os dois vereadores confirmaram que participaram do encontro e foram abordados pela polícia, mas negaram envolvimento em negociações ilegais.

A existência de dinheiro em espécie dentro de um veículo não demonstra, isoladamente, a prática de corrupção. A origem, a propriedade e a eventual relação do valor com a disputa política permanecem questões que exigem esclarecimento.

Drone monitorou encontro de vereadores em chácara

A reunião de parlamentares em uma chácara localizada na região do Distrito da Guia também integra os elementos examinados pelo Gaeco.

Segundo publicações que descrevem diligências da investigação, equipes de inteligência utilizaram drone para registrar a movimentação de pessoas e veículos na propriedade rural antes da eleição da Mesa Diretora.

O encontro ocorreu em maio, quando grupos de vereadores articulavam seus votos na disputa pelo comando da Câmara Municipal.

As imagens são relevantes para estabelecer a presença de participantes e a dinâmica das reuniões, mas não comprovam, por si só, que houve pagamento por votos.

As autoridades buscam compreender se os encontros serviram exclusivamente a negociações políticas ou se foram utilizados para a prática de atos ilícitos.

Disputa terminou por apenas um voto

A investigação tem como antecedente a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande realizada em maio deste ano.

Na ocasião, Wanderley Cerqueira venceu a disputa pela presidência com 12 votos a 11, superando o grupo adversário por uma diferença mínima.

A votação foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou irregular sua realização excessivamente antecipada em relação ao período de mandato da nova Mesa.

Essa anulação tratou do momento em que a eleição foi realizada e não constituiu uma conclusão judicial de que houve compra de votos.

Agora, a Operação Cathedra Venalis investiga um problema distinto: a suspeita de que o apoio de parlamentares possa ter sido influenciado por vantagens indevidas.

Mandados alcançaram vereadores de Cuiabá e VG

Ao todo, 15 vereadores aparecem entre os investigados na operação: 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá.

Os mandados autorizados pela Justiça abrangeram buscas domiciliares, pessoais e veiculares. As diligências ocorreram em Várzea Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

O trabalho mobilizou mais de 200 integrantes de órgãos policiais e de segurança, conforme o balanço divulgado sobre a operação.

Entre os materiais recolhidos pelas equipes estão aparelhos eletrônicos e documentos, que poderão ser examinados para esclarecer a relação entre os investigados e as negociações anteriores à votação.

A condição de investigado ou de alvo de busca e apreensão não equivale a culpa comprovada.

Vereadores negam envolvimento em negociações ilegais

Parlamentares mencionados nas investigações contestaram as suspeitas e afirmaram não ter participado de negociações ilegais.

Ilde Taques declarou que esteve em um encontro com integrantes do grupo político de Várzea Grande e confirmou a abordagem policial posterior, mas negou que materiais ilícitos de sua propriedade tenham sido apreendidos.

Alex Rodrigues também negou envolvimento em eventual esquema de corrupção e afirmou que nenhum material ilegal foi encontrado com ele durante a abordagem.

Outros vereadores alcançados pelas buscas também rejeitaram acusações de compra de votos e pressões indevidas.

As explicações dos investigados deverão ser consideradas pelas autoridades em conjunto com os depoimentos, documentos e demais elementos recolhidos.

O que está comprovado e o que ainda é suspeita?

Há distinções essenciais entre os fatos já registrados e as acusações que continuam sob investigação.

Estão documentados a realização da operação, o cumprimento de 30 mandados, a existência de investigação sobre a disputa pela Mesa Diretora e a participação de parlamentares em encontros políticos anteriores à eleição.

Já a suposta compra de votos, os pagamentos mensais, a oferta de dinheiro por apoio político, a existência de ameaças e os interesses ilegais envolvendo o DAE são pontos que precisam de comprovação.

A autorização de medidas judiciais demonstra que a Justiça reconheceu fundamentos para a continuidade das diligências, mas não substitui o julgamento de eventual responsabilidade criminal.

DAE e destino do dinheiro seguem como pontos centrais

Os próximos passos da investigação deverão esclarecer o alcance das suspeitas relacionadas ao Departamento de Água e Esgoto, à origem do dinheiro encontrado durante a abordagem policial e à eventual participação de servidores e agentes políticos em negociações ilegais.

Também permanece importante esclarecer quais provas sustentam as acusações de pagamentos periódicos e qual seria a relação entre essas vantagens e a disputa pela presidência da Câmara.

Até a manhã desta quarta-feira (21), a apuração consultada pelo ZAPP Notícias não permitiu confirmar a existência de novas decisões judiciais determinando afastamento de vereadores ou prisões decorrentes das buscas de terça-feira.

O caso segue em investigação, e novas manifestações do Ministério Público, do Judiciário e das defesas poderão esclarecer os fatos.

O que sabemos até agora

  • Operação: Cathedra Venalis.
  • Data: 20 de outubro de 2026.
  • Mandados: 30 buscas autorizadas judicialmente.
  • Investigados: 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá.
  • Suspeitas: corrupção, vantagens indevidas, negociação de cargos e pagamentos periódicos.
  • Valores mencionados: R$ 10 mil mensais em uma das denúncias; R$ 40 mil encontrados em abordagem policial anterior; e outra alegação de oferta de R$ 500 mil relacionada ao DAE.
  • Situação: investigação em andamento, sem conclusão definitiva de culpa.

Fontes: informações sobre a Operação Cathedra Venalis divulgadas pelo Ministério Público de Mato Grosso; reportagens do Olhar Direto, PNB Online, Repórter MT e Infoverus, publicadas entre 20 e 21 de outubro de 2026.

Olhar Direto: investigação sobre pagamentos e cargos

Olhar Direto: suspeitas envolvendo o DAE

Repórter MT: abordagem da Rotam e dinheiro no veículo

Infoverus: monitoramento da chácara por drone

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