Ação da Receita Federal e do Gaeco apura estruturas suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas à aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis; 29 mandados são cumpridos em sete estados.
Operação nacional chega a Várzea Grande
A Receita Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e órgãos estaduais deflagraram nesta quinta-feira, 24 de setembro, a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto.
A ação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados, entre eles Mato Grosso. Em Várzea Grande, agentes cumpriram ordem judicial em endereço ligado a uma empresa do setor de combustíveis.
Investigação mira estrutura financeira complexa
Segundo a Receita Federal, o objetivo da operação é aprofundar a investigação sobre mecanismos supostamente usados para ocultar patrimônio, dissimular a origem de recursos e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
A apuração envolve estruturas formadas por fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, fintechs, banco, escritório de advocacia e empresas de fachada.
R$ 11,6 bilhões movimentados
Um dos dados que mais chamou a atenção dos investigadores é o volume movimentado por uma empresa financeira utilizada em operações sob apuração.
Segundo a Receita Federal, essa empresa movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume, analisado em conjunto com outros elementos reunidos, reforça os indícios de uso de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e lavagem de capitais.
Operação de R$ 370 milhões está sob análise
A investigação também identificou uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios de uma usina sucroalcooleira.
Segundo os investigadores, a estrutura teria criado um fluxo financeiro circular para dar aparência de legitimidade às transações e dificultar a identificação dos beneficiários econômicos reais.
R$ 100 milhões teriam sido usados na aquisição
Outro ponto da investigação envolve o envio de cerca de R$ 100 milhões para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis.
De acordo com a Receita Federal, os valores teriam passado rapidamente por contas de diferentes empresas ligadas ao grupo, inclusive por estruturas em fintechs, antes de chegar à empresa utilizada na operação.
Mandados em sete estado
A Receita informou que os mandados estão vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, com cumprimento em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
O Gaeco de Mato Grosso presta apoio à operação no estado.
Busca em Várzea Grande
Veículos locais informam que a busca em Mato Grosso ocorreu em Várzea Grande, em endereço relacionado ao setor de combustíveis. Algumas reportagens identificam o local como ligado à empresa Terrana/Tobras, mas a própria cobertura ressalta que a investigação ainda está em andamento e busca esclarecer o papel de cada envolvido.
Até o momento, o cumprimento do mandado não significa, por si só, condenação ou comprovação de participação criminosa da empresa ou de seus responsáveis.
Investigação continua
A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e busca identificar como diferentes estruturas empresariais e financeiras teriam sido interligadas para ocultar beneficiários econômicos, movimentar recursos e blindar patrimônio.
A Receita Federal informou que a investigação segue em andamento e que o objetivo é esclarecer a participação individual de cada pessoa e empresa envolvida nas operações sob análise.

