Alegações de hemorragia cerebral , internação de emergência na China e até morte do líder norte coreano se espalharam pelo. Horas depois, a imprensa estatal divulgou fotografias atribuídas a uma aparição de Kim em Pyongyang
Uma onda de rumores sobre a possível morte do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, tomou conta das redes sociais e chegou à imprensa internacional nesta terça-feira (20). As publicações afirmavam que o dirigente teria sofrido uma grave hemorragia cerebral, entrado em coma e sido transferido às pressas para um hospital em Pequim, na China.
Algumas versões foram ainda mais longe e chegaram a afirmar que Kim não teria resistido, com seu corpo supostamente transportado de volta à Coreia do Norte sob sigilo. Nenhuma dessas afirmações foi comprovada.
Em meio à repercussão, uma reviravolta chamou a atenção: a imprensa estatal norte-coreana divulgou novas fotografias do dirigente, atribuídas a uma visita realizada na segunda-feira (19), em Pyongyang. As imagens mostram Kim acompanhado de familiares durante uma exposição de roupas e calçados.
Resumo em 30 segundos
- Rumores: publicações alegaram que Kim Jong-un sofreu uma hemorragia cerebral, entrou em coma e foi levado à China.
- Sem comprovação: não foram apresentadas provas médicas ou confirmação independente de internação ou morte.
- Novas imagens: a Coreia do Norte divulgou fotografias de Kim em um evento supostamente realizado em 19 de outubro.
Boato começou com relato de dissidente chinês
A origem identificada das acusações é uma publicação na rede social X feita por Wanjun Xie, dissidente chinês residente nos Estados Unidos.
Segundo o relato, Kim Jong-un teria sofrido uma hemorragia cerebral grave e perdido a consciência. Xie alegou que especialistas chineses teriam sido mobilizados e que o dirigente acabara transferido para o Peking Union Medical College Hospital, em Pequim.
O dissidente também publicou a versão de que Kim teria morrido após o atendimento e que a morte estaria sendo mantida em segredo pelas autoridades norte-coreanas.
Entretanto, o autor não apresentou provas documentais que sustentassem essas afirmações.
A agência sul-coreana Yonhap informou que Wanjun Xie já divulgou anteriormente outras alegações não comprovadas envolvendo dirigentes políticos chineses.
História chegou a jornais internacionais
As publicações ganharam repercussão depois que o tabloide britânico The Sun, o jornal americano New York Post e outros veículos noticiaram a circulação dos rumores.
A exposição internacional ampliou a curiosidade sobre a situação de Kim Jong-un, especialmente porque a Coreia do Norte é conhecida pelo rigoroso controle de informações relacionadas à sua liderança.
Mas há uma diferença fundamental entre noticiar que um rumor circula e confirmar que o acontecimento relatado realmente ocorreu.
Até esta terça-feira, não havia sido divulgado boletim médico confiável, documento hospitalar ou outro registro independente capaz de confirmar a suposta emergência.
Pyongyang divulga imagens de Kim com a família
A principal novidade surgiu na terça-feira (20), quando a agência estatal Korean Central News Agency (KCNA) publicou informações e fotografias de uma visita de Kim Jong-un à Exposição Nacional de Roupas e Calçados de 2026.
Segundo a versão oficial norte-coreana, o evento ocorreu na segunda-feira (19), em Pyongyang.
As fotografias mostram Kim acompanhado de sua filha, conhecida como Ju-ae, e de sua esposa, Ri Sol-ju, examinando produtos apresentados na exposição.
A agência sul-coreana Yonhap e o veículo especializado NK News repercutiram a divulgação das imagens, destacando que elas apareceram justamente quando os rumores sobre a morte do dirigente se espalhavam pela internet.
Os registros enfraquecem a narrativa de que a morte de Kim estaria confirmada. Entretanto, jornalistas independentes não tiveram acesso irrestrito ao evento, de modo que a data de captura das fotografias depende das informações fornecidas pelo governo norte-coreano.
Coreia do Sul diz não ter evidências da suposta morte
Autoridades diplomáticas e de segurança da Coreia do Sul afirmaram à agência Yonhap que não possuíam informações capazes de sustentar as alegações sobre a suposta morte de Kim Jong-un.
A declaração é relevante porque Seul acompanha regularmente as atividades oficiais do dirigente norte-coreano e os acontecimentos políticos e militares do país vizinho.
Mesmo assim, a ausência de uma confirmação independente sobre uma condição médica não permite realizar diagnósticos à distância.
O que se pode afirmar, com base nas evidências atualmente disponíveis, é que as versões de coma e morte continuam sem comprovação.
Por que qualquer rumor sobre Kim provoca repercussão mundial?
Kim Jong-un ocupa o centro da estrutura política e militar da Coreia do Norte, país que possui armas nucleares e mantém relações tensas com a Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos.
Incertezas sobre a continuidade de sua liderança despertam interesse internacional porque uma eventual sucessão poderia afetar a condução do governo e a política de segurança regional.
Entre as figuras frequentemente mencionadas em discussões sobre uma futura sucessão estão sua irmã, Kim Yo-jong, que exerce influência na estrutura política norte-coreana, e sua filha, Ju-ae, que passou a aparecer em eventos oficiais.
Essas discussões, porém, não significam que exista uma sucessão em andamento ou que tenha ocorrido qualquer alteração confirmada na chefia do país.
Rumores semelhantes já circularam anteriormente
Não é a primeira vez que a ausência de informações detalhadas sobre Kim Jong-un alimenta especulações internacionais.
Em 2020, um período sem aparições públicas provocou rumores sobre problemas graves de saúde e até sobre sua morte. Posteriormente, o dirigente voltou a aparecer em imagens oficiais.
O episódio demonstrou como a dificuldade de verificar informações dentro da Coreia do Norte pode favorecer a circulação de boatos.
Em 2026, o cenário se repete: uma alegação publicada nas redes sociais alcançou manchetes internacionais antes que surgissem evidências confiáveis sobre o suposto acontecimento.
Afinal, Kim Jong-un está vivo?
As informações mais recentes divulgadas pela imprensa estatal norte-coreana mostram Kim Jong-un em atividade oficial, segundo registros atribuídos à segunda-feira, 19 de outubro.
Essas imagens foram repercutidas por agências internacionais, mas sua produção não foi acompanhada de maneira independente por jornalistas estrangeiros.
Por outro lado, não surgiram documentos ou confirmações confiáveis que comprovem a suposta hemorragia cerebral, a internação na China ou a morte do dirigente.
Assim, não há fundamento para anunciar que Kim Jong-un morreu ou está em coma.
A repercussão internacional coloca novamente em evidência o isolamento informativo da Coreia do Norte e a rapidez com que alegações não verificadas podem se transformar em manchetes virais.
Fontes: Yonhap News Agency, NK News e informações atribuídas à agência estatal KCNA, em 20 de outubro de 2026.
Yonhap: rumores de morte sem comprovação

